Situação que ocorreu num dos primeiros dias de aulas, numa turma de primeiro ano - a maioria das crianças tinha cinco anos e apresentava imaturidade a nível de concentração. Aprendi, rapidinho - ahahaha.
A meio da aula:
- Professora, posso fazer uma pergunta?
- Muito rápido que a professora está a explicar...
-- Professora, quando é que se vai embora?
(looooooollllllllllllll)
segunda-feira, 6 de julho de 2015
Histórias da minha vida: a boleia de helicóptero e a passadeira vermelha
Há muitos anos (nem tantos assim - ahahahha) fui da
Graciosa a Santa Maria jogar voleibol - sim. Participei nos campeonatos
(inacreditável mas verídico).
Um jogo muito interessante: com lugar cativo no banco, em todos os jogos, quis o destino que uma craque se magoasse. Embora contrariada, lá entrei ao serviço e fiz uma boa jogada revertendo os resultados; as televisões apostaram tudo nesse momento e fizeram uma excelente reportagem - a minha imagem passou e foi visionada, vezes sem fim, para choque dos treinadores e colegas que não me anteviam um futuro risonho no desporto.
Eu sorri e
aproveitei os flaches - únicos na minha vida. Uma história engraçada mas que não
termina por aqui - não fosse a minha vida uma sucessão de acontecimentos
inexplicáveis.
Aproveitei a estadia, diverti-me bué com amigos que nunca mais
vi: a Elisa, o Leitão, o António Lança e o João Pestana. Na hora do regresso
fiquei presa na ilha Terceira.
Sem barco nem avião que me transportasse à ilha
Branca, juntei-me a umas colegas e fomos pedir boleia de helicóptero, na base
das Lages. Dois pilotos catitas, musculados e senhores de outros atributos
(raridades), completamente estonteados pela beleza das jovens professoras,
decidiram, com pompa e circunstância, percorrer as nuvens que nos separavam do
destino.
Chegados ao tão ansiado local: uma grande passadeira vermelha percorria a pista do aeroporto. Eh, lá! Como sabiam que íamos chegar? Não importa, vamos percorre-la. É nossa.
Ajeitados os cabelos e retiradas algumas ruguinhas
dos belos vestidos que nos adornavam: colocámos o melhor sorriso.
Enquanto a
banda, a Presidente da Câmara, os comandantes Do Sei Lá o Quê e as mais
importantes personalidades da ilha ocupavam as laterais da rubra estrada que
nos esperava. Fui a primeira, com muito glamour dei um passo e parei no cimo,
olhei a multidão pensando: pronto! Virei vedeta do desporto.
Observei os semblantes e cada movimento facial da multidão. Num ápice: a banda parou, tudo especou e rapidamente a Senhora Presidente deu ordem para que se retirassem. Nunca tinha visto tanta gente a fugir de mim- ahahaaha. Alguns atropelaram-se e caíram. Fiquei chocada mas depressa percebi que esperavam Sua EXª o Senhor Presidente da Republica Mário Soares.
Entre gargalhadas, percorri a bendita
passadeira de braço dado com um piloto que decidiu, também ele, aproveitar o
solene momento. Jamais esquecerei a Graciosa.
Sorrisos
Guida Brito
domingo, 5 de julho de 2015
Tributo ao IC19
O Futuro
Ali tão perto
Famosa pelas pontes, poucos conhecem o secretismo que encerro entre sorrisos. Nascida no interior das quentes e gélidas planícies alentejanas; lá, onde o mundo não acontece e a espera leva à morte. Atos impensados de quem não ultrapassou as linhas do horizonte. Ainda hoje me questiono: se estava escrito nos genes ou se uma infância rudimentar me encurralou numa vida plena de aventuras, num corrupio de atos insólitos e delirantes. Provavelmente, o prémio de quem desconhece o medo e desbravou cada um dos bocadinhos do seu caminho. Embora pacata, obediente e sem sal, encerrava (tal como hoje) os mais pirralhos pensamentos. Lembro-me com o sonhar sair de casa, viajar, fumar e ultrapassar a última linha de terra visível do canto do meu quintal. E, era na sombra da velha oliveira que me prometia um sol brilhante. Sonhava com o futuro, o presente era capa que não me servia. Cedo, o audível “Não vás por aí!” se tornou um desejo a concretizar e sinto que o meu futuro aconteceu quando por irreverência o contradisse.
Ser gente fazia parte do que queria para mim. Sempre me considerei feia. Nem o
“Continuas linda!” ou “ Lembro-me de ti, tal como és hoje, portadora de uma
beleza incomparável.”, proferido por alguém que não me via há 40 anos (número
silabado com dor) me convence ou me altera... bahhhh! Meio selvagem, bicho de
mato, pedra nascida onde nem as cabras ousam trepar! Linda sou no meu sentir,
no amor aos que me rodeiam, no afago aos que precisam. Linda: sou quando, na
minha infantil loucura, decido ir mais além e sempre mais além (nasci no Além
Tejo e o rio presente na minha face, sempre, coloriu de bravura os dias da minha
vida). Linda sou quando entre sonhos, delinho o futuro e dou voz ao meu querer.
Perceberam? Gosto de mim, aquele cá de dentro.
Nunca imaginei que o atrevimento inesperado de rumar à capital para conhecer
meia dúzia (eram 7) de cacos de um delicioso Caneco – grupo de escreventes que
teima em se gostar, mimar e abreija,r a cada palavra que salta do alto da
imaginação e se alapa num ecrã com acesso ao coração - me ruborizasse a fronha,
que apresento ao mundo, e irradiasse a minha vida de momentos hilariantes de
tão profundo sentir.
Tanta escrita para chegar ao Ic19! Daqui a pouco estão fartos de mim! Mas
adiante...
Conhecida pelas múltiplas viagens ao volante dos meus bólides, ninguém imagina:
que a capital mais próxima se revela sempre um encalhe - para quem está
habituada a não saber para onde vai mas para onde quer ir.
Sim! Já atravessei muitas vezes a ponte... mas as tropelias sucedem-se
sucessivamente. Não tenho má ideia dos condutores lisboetas: se no inicio
explodem inexplicavelmente, rapidamente ficam cativos dos sorrisos, beijocas e
adeus que, carinhosamente, envio ao primeiro sinal de água entornada.
Sem ajuda dos Canecos e querendo evitar a todo o custo parques de
estacionamento ( eu lá saberei porquê), afirmei decidida:
- Carrinha, vamos a Lisboa e atravessamos a ponte- ela estremeceu e eu fiquei
feliz.
Embora não tivesse publicado, as minhas intenções, no facebook: todos pareciam
saber que a alentejana chegara. Uns paravam, outros esperavam e eu fiz tudo
direitinho. Virei corretamente entre vias e vielas até me encontrar a 100
metros do destino. Uma manobra impensada, uma viragem contrária levou-me a
conhecer mais uma zona da famosa capital. E agora? Não sei. Decidi
apresentar-me , pessoalmente, aos habitantes de tão distinto local. Aproveitei
uns semáforos, parei entre muitos, abri o vidro e obriguei (entre aspas) os que
me rodeavam a copiar as minhas ações.
- Por favor! Praça de Espanha?
- Ui! Vem de lá!
- Eu sei! Mas gostei tanto que quero retornar- sorri.
- Pois! Mas agora já não consegue...
Mau! Recostei-me (com a tradicional calma) no assento, enquanto enviava gestos
de carinho aos que passavam pela esquerda, pela direita e com vontade de passar
por cima.
- Que fazemos?- Inquiri com alguma marotice.
- Minha senhora! Quer que eu atravesse o carro, pare o trânsito e você vira
para trás?
- Quero- respondi ignorando o pânico do meu simpático meio de transporte.
E assim foi- ahahahhahahahahaahahah- Lisboa parou para me ver passar.
Adoro os lisboetas! Amo esta gente calma, simpática e desenrascada. Na próxima
vez, publico no facebook:
" Amanhã, a alentejana atravessa a ponte, 10 horas."
É certo que todos irão gostar de me rever e muitos outros me escoltarão.
Obrigada, gente boa.
Publiquei e as benesses não tardaram em chegar: mails com roteiros
personalizados (adaptados à alentejana), telefonemas... caminhou mais longe, um
simpático habitante local que decidiu acompanhar as minhas travessias sempre
que remava até à capital. Provavelmente um colecionador de estampas e cromos ou
alguém que, também, encerrava em si a esperança de sentir o sol brilhar. E tantos
foram os “para lá” e “para cá” que as pontes se tornaram minhas. Sei-as de cor
e salteado - salteado porque aquele piso de ferros quadriculado são o terror da
minha doce carrinha.
E foi nestas andanças que o conheci: aquele que me abanaria as estruturas e me
faria sonhar com um futuro ali tão perto.
O sol, envergonhado ou sem saber gerir o que adivinhara, chamou a lua que,
habituada a arrepios incessantes e ao roçar dos amantes, semeou o caus em quem
precisava de um simples raio de sol. E numa velocidade louca, entre aceleras,
espera por mim e vira aqui, o telefone transpira:
- Estás no IC19.
Apaixonei-me mesmo ali! Por um mágico local onde todos pareciam aprender a
voar, por piscas intermitentes que refletiam as entranhas de quem ainda não
sabia amar. Vislumbrei curvas sedutoras, ternura sem fim e fiquei presa por um
simples olhar. Qual ponte nem meio ponte! Amei-te ali ao primeiro roçar!
Tal foi a sedução (nunca ninguém me tinha brilhado assim) que decidi
percorrer-te antes do tempo ser tempo. Procurei-te em vão. Oh! IC, por onde
andas tu? Nem vislumbre do amor que me afaga e seduz. Alcabideche, Paço De Arcos,
Linda-a-Velha, portagens e mais portagens... não te vejo, não te encontro,
perco-me por ti. Apesar de trocar o trânsito, o sentido e as vias aos que
circulam por aí, descobri que nem tudo é Lisboa e o IC nunca vem aqui. Socorro!
Homem dos cromos! Preciso de ti! E na sua infinita ternura, sorrindo e de mão
dada, leva a princesa a saber a sua estrada. E conto tantas as vezes em que o
“Já sei” era tão longe de ti. E claro... o homem das estampas e dos cromos.
Sempre o Homem das Estampas e dos Cromos. Obrigada! Já resolvi: o mapa
estampado na frente da minha incrível companheira de quatro sapatos, sempre a
meu lado pela estrada, levar-me-á até ti:
Homem das Estampas e dos
Cromos
Não desistas de mim
Sou alentejana, procuro o IC19, anseio que o meu futuro passe por aí.
Por
muito fedelha que seja: nunca imaginaria que o para lá da linha do horizonte,
visto da sombra da velha oliveira do meu quintal, era o IC19!
Nós
Somos dois: navegantes de ideias, viajantes incontroláveis, caçadores de sorrisos velejando por onde a brisa nos levar.Partilhamos: ideias, afagos, o calor dos abraços, ternura, bravura, admiração, pirralhices e ADN – que apresenta falhas de normalidade mas fortes laços de coração.
Abraçamos: ideias, estrelas, nuvens, amigos… a vida.
Coleccionamos: momentos, bons ventos, sorrisos e brilhozinhos no olhar.
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