quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Fortes cheiros a gás, em Sines- formulários para registo de poluição industrial.

     Após os fortes e nauseabundos cheiros a gás que se fizeram sentir esta madrugada, em Sines, decidi procurar onde me queixar e manifestar a minha indignação. Não foi uma ocorrência única, um acidente imprevisível, é uma constante sempre que o vento decide deixar de desalinhar os caracóis. Sabe-me bem manter uma aparência alinhada (que satisfaça os padrões da sociedade) mas o meu organismo e o meu nariz rejeitam, sistematicamente, estas ocorrências  e preferem que os padrões da sociedade sejam satisfeitos no que se refere ao ar respirável. 
    Claramente, uma, ou mais (não sei). empresas da região desrespeitam as convenções internacionais que Portugal assinou e se comprometeu a cumprir. Sou portuguesa e cabe-me informar o governo do meu país sempre que algo desrespeite e quebre, de forma muito grave, o que jurámos cumprir. É o caso, a indústria presente gera milhões de lucros e é responsável pela empregabilidade da região mas tem que o fazer com: respeito pela saúde dos seus cidadãos; respeito pela Mãe Natureza e respeitando os acordos internacionais que Portugal assinou. E isso é possível, existem formas de coexistir com respeito pelo que que é sagrado. É isso que se pede: lucrem e façam-nos lucrar, respeitando e cumprindo. Descobri que a Câmara Municipal se preocupa com o bem estar da população e pede ajuda para identificar situações de poluição industrial; de forma a poder comunicá-las ao Ministério do Ambiente. Façamos a nossa parte ao preencher todos os formulários que o Município disponibiliza: 


Sorrisos (meio atrapalhados devido aos nauseabundos cheiros a gás)
Guida Brito

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Campaniça Trio-Pedro Mestre, David Pereira e Zé Diogo Bento- um grupo com sentido nas memórias do povo alentejano- Feira de Castro 2017


“Apresentam-se como trio”- li algures. E, por muito que pesquise, nada mais se encontra de um grupo que, sendo mesmo três, são únicos na beleza recuperada de um Alentejo quase esquecido. Eles não cantam: encantam. Há muito que ansiava confirmar, ao vivo, a brisa ligeira das vozes que correm e enaltecem o som, tocado e cantado, das gentes da minha terra. É impossível não amar: num afeto sorridente (brincalhão e atrevido) escrevem as memórias dos mais velhos no presente de uma juventude que as orgulha e gosta; aferindo-lhe o   anseio do saber e muito mais. 


Pela mão do seu mentor (Pedro Mestre) recuperam tudo o que distingue, ao longo dos tempos, o Ser alentejano do Ser de qualquer outro lugar do mundo. Da viola campaniça, ao despique, ao baldão, aos bailes de roda, às modas,  aos ditos, ao cante… à recuperação de um rico património oral de outrora; não há nada que lhes escape e resgatam o que é isto do Ser alentejano. Ao som de uma sonoridade única (instrumental e vocal) vão gracejando palavras tão nossas que o público os abraça num Alentejo sentido. É com pureza que “lamentam que as formigas de asas não tenham ido à feira de Castro”  e fazem suas: as expressões dos tempos que já lá vão. Transportam ao presente a capacidade de sorrir daqueles que, numa vida tão dura e áspera, venceram pelo desbravar de caminhos que nos permitem o Ser de hoje.


De um repertório imenso, a minha preferência vai para “Adeus ò Feira de Castro”; talvez porque explica as histórias cantadas “as unhas de pau gasto e as bordas do sim senhor ardendo”. Ai! Shiiii! Santa Barbatana! É obrigatório ouvir e partilhar; ora oiçam:

Adeus ó feira de Castro
Adeus ó Feira de Castro
Que já te fico conhecendo
Levo as unhas de pau gasto
E as bordas do cu ardendo
Foi uma cantiga cantada
Pelo coxo de Alfundão
Uma noite num serão
Às quatro da madrugada
Na caixa não tinha nada
E o tempo corria áspero
Com muitas nuvens no astro
Sem ter casa nem guarida
Faço a minha despedida
Adeus ò Feira de Castro

A Joséfinha coitadinha
Tocava a sua guitarra
Sempre metida na farra
Uma noite inteirinha
Não vejo que sou ceguinha
É por isso que estou sofrendo
Mas apesar de não estar vendo
A feira estou a sentir
E por tantos anos cá vir
Já te fico conhecendo

E o Matias que também andava
Nesta dita companhia
Da Joséfinha era o guia
Que pela mão a levava
Tudo gente que cantava
Naquelas casas de pasto
Partiram sem deixar rasto
Alunos da mesma escola
E com tanto tocar viola
Levo as unhas de pau gasto

Com o cante no sentido
Já chegou o Zambujeira
Sentou-se numa cadeira
Ficou no grupo metido
Ali ficou entretido
Foi cantando e foi bebendo
Pelo jeito que estou vendo
Vou ficando embriagado
E com três dias assentado
E as bordas do cu ardendo

Manuel Martins Mira

Sorrisos
Guida Brito

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Uma conversa

Definição de acaso: viras-te e encontras uma conversa.

Definição de conversa- conversa é a arte mais difícil de coordenar palavras com olhar. Numa conversa os olhares e as palavras não se esgotam e sabem sempre intervir. A conversa sabe sempre o que dizer e o olhar também.
"Gosto de conversar: gosto de dar dois dedos de conversa sem nada na manga. Gosto de conversar com quem não se queixa; não me conta e sabe sorrir ao vento. Gosto de conversar com quem tem tempo mesmo que o não tenha; gosto de conversar em horas incertas ao sabor do acaso. Gosto de viajar numa conversa.”
Sorrisos

Guida Brito

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Rancho Folclórico da Casa Povo da Conceição de Faro- feira de Castro Verde 2017


Dançam, desde 8 de dezembro de 1958, e dão baile, há alguns anos, na feira de Castro. Dão baile e fazem-nos bailar. Divertidos e profissionais, apresentam um reportório composto por corridinhos, bailes de roda, florestrias e marcha.
 Dos mais jovens aos mais velhos, a mestria é a vestimenta que trajam. Atrevidos, cativam o público que se junta à roda e se diverte nos tradicionais arquinhos dos bailes de rua. 

Lembram os “mastros”  (no centro da aldeia coloca-se um tronco alto, enfeitado de flores e bandeirinhas de papel,  à sua volta decorre o baile).


    Nos tempos antigos, ali se iniciavam namoricos. E se desmanchavam outros: ciúmes de ver o par nos braços de alguém que passava, a partir desse momento, a ter má fama nas ruas da aldeia. As meninas eram acompanhadas pelas mães; estas, com cara de poucos amigos, vistoriavam minuciosamente os pretendentes da sua jovem caçoila. “Aquele não é flor que se cheire” ou um olhar de reprovação, faziam as jovens, as mais pacatas, tremer de aflição e recusar os jovens que lhe piscavam o olho de forma atrevida. Por vezes, a situação complicava-se: os insonsos, por regra, não dominavam a arte da dança e a jovem regressava aos aposentos sem sorrir ao som das cantorias. Ir ao baile e não dançar, ou ver o que pensava ser seu nos braços de alguém, significava olhos inchados e almofada molhada pela manhã. Já os que escondiam o seu amor, ao povo e à família, aproveitavam para se sorrir, ao longe, de forma camuflada; usando amigos, em comum, para enviar miminhos de amor- no seio dos maiores secretismos. Aqueles pequenos segredos que, quando as amigas se zangavam, circulavam correndo as ruas da aldeia. Geralmente, ditavam o enclausuramento da jovem princesa. Eram tantas as histórias; são tantas as memórias.
Este fantástico grupo lembrou-me o que a memória não esquece e  o que, no coração, faz sentido.



Fiquei fascinada pela alegria desta jovem senhora que integra o grupo há 45 anos. Pura, veste a linguagem de um algarve antigo e faz gostar; faz gostar e muito.
Deslumbre-se com as fotografias:















































Sorrisos
Guida Brito

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Rancho Folclórico da Casa do Povo da Conceição de Faro- Feira de Castro 2017- II


       Estou a escrever sobre o Rancho: as fotos são tantas que não sei o que escrever. Partilho esta antes do grande escrito.
Sorrisos
Guida Brito

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Castro Verde - em dia de Feira de Castro



Ainda não escrevi sobre a Feira de Castro Verde; nem sobre a inigualável agenda cultural que esta vila nos oferece (várias vezes por ano). 

Não resisto e partilho  momentos que captei por ocasião deste evento com quase quatro séculos de existência. O Rancho Folclórico Casa do Povo da Conceição de Faro, foi um dos grandes grupos que alegrou as ruas e fez sorrir.

Secular, esta feira continua a atrair, todos os anos, milhares de pessoas.
Sorrisos
Guida Brito

terça-feira, 17 de outubro de 2017

"As Papoilas" d'A-de-Corvo- Feira de Castro Verde- 2017


São lindas; transportam no chapéu a minha flor preferida (uma papoila); de braço dado, correm devagar, com passos graciosos, as ruas e ruelas- petrificando os ouvintes com a beleza do seu canto. 

Não há palavras que as descrevam na exatidão da sua beleza. Não há som que não respeite o silêncio que quebram com a palavra cantada. Nas vestes, sente-se a experiência de quem tudo aprendeu a fazer: trajam os trabalhos do campo (monda e ceifa). 

Este Grupo Coral feminino é natural d’A-de-Corvo (Castro Verde).

A cima de tudo, são um exemplo de integração e respeito; um passo a ser seguido: para integrar a formação, uma papoila abandonou o cajado que a ampara e são as outras que, de braço dado, lhe seguem o passo. Se na frente segue o Querer, atrás segue o Saber Ser.


Curiosa de conhecer, descobri, sem surpresa, o seu fundador/ensaiador: Pedro Mestre. Escusa de apresentações como estão vendo; o Alentejo orgulha-se do que lhe fica devendo.




Dos bailes de rodas às danças de jogo seduza-se, em tons alentejanos, às mais belas senhoras: “AS Papoilas” d’A-de-Corvo.

 Sorrisos
Guida Brito

domingo, 15 de outubro de 2017

Fui à feira


     Fui à feira de Castro Verde e fiquei encantada. É deliciosa a agenda cultural deste evento anual. Fiz esta marotice:  "As papoilas" do Corvo que me perdoem mas a foto ficou linda. Tenho o registo das Vossas vozes e das roupas ancestrais: fica a promessa de o partilhar.
Sorrisos
Guida Brito

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Santa Bárbara dos Padrões- a Aldeia


A Aldeia- assim a referiam, os seus habitantes, nos meus tempos de estudante. Mais tarde soube-lhe o nome mas só agora, passados muitos caminhos, regressei ao local que sempre ouvira. Calma, simpática, charmosa e afável recebe-nos numa simpática praça: o centro da aldeia. 

O local onde se sabe os azares da vizinhança (imagino eu- sendo esta uma aldeia tipicamente alentejana). Ruas limpas, casas brancas debruadas no colorido das cores ocres e outros pigmentos dão de beber ao olhar. 


Em tempos que já lá vão, misturavam-se os pigmentos com a cal. Com este  colorido pintavam-se as barras das casas e a parte superior da cozinha- evitava o negrume causado pelo fumo da fogueira; a parte inferior, como sabem, era caiada a branco no madrugar de todos os dias.



Falemos da Aldeia. Não encontrei os amigos de outrora- para muita pena minha. Encontrei um Alentejo de ruelas encantadoras; umas escavações impedidas de saber o passado(a sua continuação carecia que a igreja e o cemitério fossem profanados); uma igreja de uma beleza surpreendente; e, um lugar onde apetece voltar. Dista 13 km de Castro Verde, a sua sede de Concelho, e os seus campos são de encantar.


Deslumbre-se com as imagens.




Não se esqueça, se lá decidir passar, entre nas velhas tabernas.



Não se esqueça do lavadouro e do velho poço. Feche os olhos e retorne nos tempos ao tempo, em que o tempo, apesar de  escasso, tinha tempo de amar- digo eu.




Sorrisos
Guida Brito