sábado, 27 de abril de 2019

Baleia-comum morta, em praia de Sines




Baleia-comum morta, em praia de Sines

Uma carcaça de baleia-comum deu à costa, hoje, na Praia do Norte, Sines. Em estado avançado de decomposição, já tinha sido avistada, numa praia, a 10 Km. 
Com 19 metros de comprimento, o cetáceo impressionou os que ocorreram ao local. De facto, é inacreditável a dimensão do seu ser e a nossa pequenez.


Baleia-comum morta, em praia de Sines

Na impossibilidade de ser arrastada para o alto-mar, face às condições marítimas, as autoridades procederam ao seu enterro, nas areias da praia. Para o efeito, deslocaram-se ao local duas grandes retro-escavadoras. 

Baleia-comum morta, em praia de Sines

Deixo-vos o meu registo fotográfico.



Baleia-comum morta, em praia de Sines

Baleia-comum morta, em praia de Sines


Baleia-comum morta, em praia de Sines


 Baleia-comum morta, em praia de Sines




Baleia-comum morta, em praia de Sines

 Baleia-comum morta, em praia de Sines










Baleia-comum morta, em praia de Sines

Baleia-comum morta, em praia de Sines

Baleia-comum morta, em praia de Sines


Guida Brito


sexta-feira, 19 de abril de 2019

Químicos e morte povoam milhões de hectares do Alentejo

Químicos e morte povoam milhões de hectares do Alentejo

Não é possível medir, com exatidão, a verdadeira extensão da área ocupada pelas culturas superintensivas (olivais, salsas, bróculos e outros): é possível observar que  muito mais de metade do Alentejo já desapareceu. Muitos milhares de hectares (muitos milhares de quilómetros quadrados) deram lugar a estas culturas, destruindo tudo no seu caminho (serras, montados, olivais tradicionais, património histórico… a vida). Engolem povoações e só param a 5 metros do mar, onde as arribas impedem o seu avanço. Tudo desaparece e a vida resume-se a meia dúzia de alentejanos que residem nas povoações engolidas pela morte.




Através do Google Earth (imagens da terra, obtidas a partir de satélite) é possível observar um Alentejo que já não existe. São imagens chocantes que partilho convosco.

Tudo se inicia de forma discreta, do interior para a periferia, no centro dos montados e das zonas protegidas. Uma pequena fila de árvores resta perto das estradas, escondendo a verdadeira dimensão da catástrofe ambiental.

Uma pequena clareira é iniciada, a vegetação é destruída, toda a superfície do solo é decapada (numa ausência total do que quer que seja) e nivelada; dá origem a um gigantesco círculo e, posteriormente, acontece o mesmo a todas as zonas adjacentes.

Químicos e morte povoam milhões de hectares do Alentejo

A vegetação é queimada e o montado removido.

Arranque do montado

Arranque do montado

Começam a formar-se gigantescos círculos:
(https://earth.google.com/web/search/38%C2%BA05%2706%27N8%C2%BA16%2731%27W/@38.08153572,-8.27477141,75.094748a,1889.21947411d,35y,-0h,0t,0r/data=CigiJgokCV5b1b4mGUNAEaXvd6FLFENAGZiXYpUTSx_AIVYOuMvMsh_A)


Químicos e morte povoam milhões de hectares do Alentejo

Em pouco tempo, nada resta da superfície terrestre, no interior do círculo:

Químicos e morte povoam milhões de hectares do Alentejo



Seguem-se as zonas adjacentes, não restando uma única forma de vida:


Químicos e morte povoam milhões de hectares do Alentejo



Químicos e morte povoam milhões de hectares do Alentejo

Para perceber a verdadeira dimensão de uma das maiores catástrofes ambientais, a nível mundial, rodeei algumas zonas que foram completamente devastadas e calculei a sua área. No entanto, infelizmente, as áreas rodeadas são inferiores à centésima parte da devastação. É necessário, também, considerar que as imagens do google Earth não estão atualizadas, e algumas imagens têm mais de 3 anos; e, nestes 3 anos, o Alentejo foi alvo das maiores intervenções. Muitas das zonas de montado que observa: já não existem.


https://earth.google.com/web/search/38%C2%BA05%2706%27N8%C2%BA16%2731%27W/@37.99927366,-7.68851924,155.56530184a,32340.5105963d,35y,0h,0t,0r/data=CigiJgokCV5b1b4mGUNAEaXvd6FLFENAGZiXYpUTSx_AIVYOuMvMsh_A
Químicos e morte povoam milhões de hectares do Alentejo

Entre Beja e a Salvada, uma área de 164 quilómetros quadrados (16 400 hectares) - uma ínfima parte do que de facto ocorreu nesta área. Toda a cidade de Beja encontra-se rodeada por terrenos que foram completamente intervencionados e desprovidos de património e vida.

Químicos e morte povoam milhões de hectares do Alentejo
Dos céus, é possível fotografar as povoações que estão completamente rodeadas do "não há vida". A Salvada é apenas um exemplo.

Fotografia aérea da zona de Alvalade:

https://earth.google.com/web/search/38%C2%BA05%2706%27N8%C2%BA16%2731%27W/@37.92023481,-8.33665542,85.75392785a,2711.49098118d,35y,0h,0t,0r/data=CigiJgokCV5b1b4mGUNAEaXvd6FLFENAGZiXYpUTSx_AIVYOuMvMsh_A

Químicos e morte povoam milhões de hectares do Alentejo
Muitos e muitos quilómetros quadrados foram devastados de vida.

No Litoral Alentejano, em pleno Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, através das fotografias do Google Earth, conseguimos observar que, entre Vila Nova de Mil Fontes e Odeceixe, existe uma área de 238 quilómetros quadrados (23 800 hectares) plena de estufas e culturas superintensivas. De uma das zonas mais bonitas do Mundo e de elevado interesse a nível internacional devido à biodiversidade, tanto florística como faunística, resta uma pequena faixa: com uma largura que varia, maioritariamente, entre os 5 e os 100 metros de largura.

https://earth.google.com/web/@37.61331637,-8.77545171,63.08160571a,2720.93149553d,35y,0h,0t,0r

Químicos e morte povoam milhões de hectares do Alentejo



Químicos e morte povoam milhões de hectares do Alentejo


Químicos e morte povoam milhões de hectares do Alentejo


Químicos e morte povoam milhões de hectares do Alentejo



Químicos e morte povoam milhões de hectares do Alentejo



 A preparação dos terrenos para as novas culturas exige profundas alterações a nível da orologia. A lei permite 80 cm, imagens do Goole Earth comprovam movimentações de terras que atingem valores muito superiores.
Químicos e morte povoam milhões de hectares do Alentejo
Movimentações de terras para as novas culturas atinge, aqui, 7 metros de profundidade.

Sempre do interior para a periferia


Químicos e morte povoam milhões de hectares do Alentejo

Químicos e morte povoam milhões de hectares do Alentejo


Por vezes, é uma estranha substância Branca que evidencia queimar todas as formas de vida. Os troncos das árvores são, posteriormente, agrupados e queimados ou desfeitos e enterrados.

https://earth.google.com/web/search/praia+da+esteva/@37.65740968,-8.79362648,27.65216668a,222.57001338d,35y,23.79595416h,0t,0r/data=CigiJgokCXp6KXQquEJAETNunZ7fs0JAGYJmEC2rjiHAIXdiJpINoCHA

Químicos e morte povoam milhões de hectares do Alentejo

Químicos e morte povoam milhões de hectares do Alentejo

Casas entre a vegetação

O aparecimento de construções, escondidas pela vegetação,  constitui indicio da proximidade da destruição total das zonas adjacentes. Chegam as máquinas e, aos poucos, a desolação e a morte são o novo Alentejo.

Químicos e morte povoam milhões de hectares do Alentejo
Nesta zona, ao aproximar a imagem são visíveis várias máquinas de grande dimensão.

Químicos e morte povoam milhões de hectares do Alentejo

Químicos e morte povoam milhões de hectares do Alentejo
Chegam as máquinas

Químicos e morte povoam milhões de hectares do Alentejo

Químicos e morte povoam milhões de hectares do Alentejo

No litoral alentejano, as novas culturas travadas pelo mar, expandem-se para a serra da Vigia.

Serra da Vigia 

A poucos quilómetros de Odemira, nesta simples imagem, encontrei 13 pontos onde se inicia a desbastação total.

Químicos e morte povoam milhões de hectares do Alentejo

Observemos o ponto 2:

Químicos e morte povoam milhões de hectares do Alentejo

Ao aproximar a imagem é nítido o desbaste total de vida.

Arranque de árvores
Milhões de árvores desapareceram dos campos do Alentejo.


Os Círculos 

Cada um destes círculos  apresenta uma área superior a meio quilómetro quadrado. 

Solos do Alentejo

Com uma paciência infinita, consegui contar 887 círculos no Alentejo;  são muitos mais. Sendo consciente que a área envolvente é superior e que, posteriormente, muitos perdem a forma, podemos contabilizar milhões de hectares ( muitos milhares de quilómetros quadrados) de destruição. 



Na área de Beja, entre Beja e a Vidigueira, consegui observar 760 quilómetros quadrados de terrenos que foram alvo de total desbaste da superfície do solo.  Esta é apenas uma parte do que ocorreu e continua a ocorrer, num atentado à vida e à dignidade do povo alentejano.

Solos do Alentejo

Nas primeiras intervenções do solo são poupadas algumas árvores, dando a ideia que o montado é alvo de respeito. No entanto, podemos observar que todas desaparecem e o nada mata o Alentejo.


Desaparecimento do montado, no Alentejo

Solos do Alentejo

Solos do Alentejo


Após o nada, surgem as plantações superintensivas, num desgaste total dos nossos recursos e deixando no seu caminho químicos altamente poluentes.


Solos do Alentejo

Podia continuar a mostrar-vos fotografias aéreas de um Alentejo que já não existe, deixo-vos os links e solicito a Vossa reflexão.

Milhões de hectares, muitos milhares de quilómetros quadrados foram arrasados de vida; outros tantos iniciam-se em pequenas clareiras no interior dos montados. Reinam plantações superintensivas que exigem mais do que os solos lhe podem dar. No seu rasto, os químicos que povoam de cancro as terras do Alentejo… e não consigo perceber o que lucra o meu país com isto. Continuamos a pagar bancos, empregos não há, aumenta-se a idade de direito a reforma, a economia continua um desastre… Quem lucra? A quem vendemos o Alentejo? A quem vendemos o nosso país? 
Porque é o Alentejo uma terra sem lei?

Químicos e morte povoam milhões de hectares do Alentejo


O problema não são os olivais superintensivos, não são os bróculos, não é a salsa, não são as amêndoas, não é a vinha... o problema é a plena ocupação dos terrenos,  em simultâneo, sem planeamento, sem respeito: o problema é o desbaste total e a contaminação química que daí resulta. O problema é a extinção das condições essenciais à vida.

“Só depois da última árvore derrubada, do último peixe morto, o homem irá perceber que dinheiro não se come.” – uma frase que não se aplica: não há dinheiro; no Alentejo, a morte chega de forma gratuita.
Ler também:

Olivais do Alentejo: o crime é cometido sem medos nem receios




Sem sorrisos
Guida Brito

domingo, 14 de abril de 2019

Olivais do Alentejo: o crime é cometido sem medos nem receios


Alentejo, olivais superintensivos
Olivais milenares carregados em camiões e vendidos fora de Portugal, na calada da noite; dando lugar aos olivais superintensivos.

Aquando da calamidade de Moçambique, assisti orgulhosa à procura incessante de Portugal por um dos seus: um português que se encontrava isolado entre a desumanidade que doía a cada sentir. Um grupo de soldados enfrentou a morte e ultrapassando o impossível fez jus ao que se espera de um país: o não abandono, a sua defesa e a sua proteção. Sou crente que a missão de qualquer governo, além da melhoria da nossa qualidade de vida, é essa.



Infelizmente, se essa é a postura do meu país além-fronteiras, no meu entender (é a minha opinião que veiculo) a mesma não se verifica no seu interior. Assistimos, cada vez mais, a políticas e ações, por parte do governo, que distam do bem-estar e da qualidade de vida do seu povo: a políticas que caminham no sentido contrário à Constituição Portuguesa e que, ao invés de proteger os seus cidadãos, vedam os direitos fundamentais e universais à pessoa humana.

Sim. Falo do Alentejo. Falo do azeite. Falo do azeite, dos legumes pseudobiológicos e dos frangos… Falo num povo singelo que se tornou cobaia e refém da Europa (sempre no meu entender). A devassa e a extinção é tão grande, atingiu proporções tão gigantescas que ninguém sabe a área ocupada.  Espantaram-se com os frangos? Já não como frangos; em meia dúzia de dias assisti ao desaparecimento de um montado secular e viçoso que, inexplicavelmente, adoeceu, morreu e desapareceu, após a compra dos terrenos por parte de uma grande empresa. Não; não são os sobreiros de Alvito nem os que outrora existiam no seio dos olivais superintensivos; são mais uns que até passam despercebidos na enormidade bárbara que ocorre no Alentejo.

Alentejo, olivais superintensivos


Desaparecer misteriosamente, de um dia para outro, parece ser comum às velhas árvores da região. Na calada da noite, olivais milenares e  os recentes olivais intensivos são dizimados ou, conforme comprovam as imagens, carregados em camiões e vendidos fora de Portugal; dando lugar aos olivais superintensivos. Por todo o Alentejo: o crime é cometido sem medos nem receios. As políticas governamentais e a oposição caminham rumo à sua continuidade e à plantação de, além dos milhares de hectares já  existentes, mais 500 quilómetros quadrados desta praga que invadiu o Alentejo. No seu caminho: a devastação plena, até das vidas humanas.

Segundo informações recebidas, o milenar olival da Pêga (tem entre 2500 a 3000 anos) tem um fim próximo. A seu lado, já desapareceram, inexplicavelmente, olivais de grande dimensão

Estou cansada de ouvir os representantes do governo a veicular informações (no meu entender, sempre no meu entender) que são incompletas, desinformativas e acrescentaria mais uns adjetivos, não fosse o bom senso e a forma de ser que anda sempre em mim. Ouvi o Senhor primeiro Ministro  transmitir a informação que o Olival é a cultura que melhor se adapta ao Alentejo e que o mesmo necessita de desenvolvimento.



E, de facto, tem toda a razão do Mundo. Esqueceu-se de dizer ou de verificar se é o Olival que está a ser plantado por terras do Alentejo e a forma como está a ocorrer. Não é, Senhor Primeiro Ministro; não é Olival que por aqui ganha terreno.

Eu explico-lhe: tal como nós, as plantas ganham defesas relativamente às doenças: as oliveiras seculares do Alentejo são organismos muito resistentes e que quase não necessitam de intervenção para produzir a excelência da azeitona;  o que conferia ao azeite português a qualidade do “Melhor do Mundo”. Segundo as informações que me chegaram, de base fidedigna, essas oliveiras são certificadas em Espanha e seguem para Itália. As que ocupam o Alentejo, numa área tão grande que nem o senhor sabe a enormidade dos kms quadrados, são organismos modificados geneticamente e que necessitam de químicos altamente mortíferos para o ambiente e para a vida humana, em quantidades que vão muito além do permitido por lei. São tantas (dez vezes mais ao veiculado como aceite, no site do Ministério da Agricultura) que quase não cabem no terreno e que, no seu caminho, destroem todo o património Ambiental e Histórico, não respeitando a Constituição Portuguesa e, mais grave que isso, espalhando doenças que levarão à extinção humana.

A propósito: os produtos que dali derivam não deviam mencionar que foram obtidos a partir de organismos modificados geneticamente e distar de outras culturas….????? Se eu procurar, estou certa de que encontrarei a lei.

Alentejo, olivais superintensivos


São tantas, mas tantas, que isolam povoações e só param a um metro das casas das pessoas. De que desenvolvimento e benefícios estamos a falar? O desenvolvimento não deveria ter por base a melhoria das condições de vida? Dá dinheiro: a quem e para quê? Para que quero o desenvolvimento e os dinheiros, se morrer aos poucos e ver os meus definharem com um dos muitos cancros que aumentaram, de forma rápida e vertiginosa, no Alentejo?

Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina



Não é preciso ser doutora para ver que nem um inseto se esmaga no para-brisas do carro, ao atravessar os kms das áreas ocupadas por estas culturas (as abelhas, a par de outros, foram considerados os seres vivos mais importantes do planeta: sem eles não há vida); não preciso de análises para saber que o ar de Fortes, de Alvito e de outras regiões adjacentes, é gorduroso e irrespirável, basta lá ir; não preciso de estudos para saber que há alterações a nível da orologia e arranque de sobreiros, basta olhar e ver; não preciso de estudos para saber que que existe uma impermeabilização total nos terrenos do Parque Nacional do Litoral Alentejano… tudo é visível, a olho nu.

E muito lhe escreveria sobre o Tema; não escrevo: o Senhor sabe melhor do que eu que esse pseudodesenvolvimento está a arrasar o Alentejo e, mais grave que isso, a arrasar todas as formas de vida. É culto estudado e com tão grande responsabilidade que jamais descuraria o saber o que se passa no País. Lá estou eu com os pseudos; pois, Desenvolvimento deveria ter por base: a melhoria das condições de vida; o crescimento económico; a preservação dos nossos recursos ambientais, a curto e longo prazo, garantido o direito à vida e as liberdades fundamentais do ser humano. A realidade do Alentejo em muito daí dista.

Alentejo, olivais superintensivos

O que lhe solicito é que cumpra o seu dever de me proteger tal como fez com aquele cidadão, em Moçambique. Quero um ar respirável, quero ver o outro lado da rua, quero água não contaminada, quero a manutenção dos recursos, quero a defesa do Património histórico e ambiental; quero vida no Alentejo e no meu País.

De facto, estou perplexa com o que se passa no meu país. Já houve tempo em que a oposição fazia algum trabalho e isso era eco e regulava, um pouco, as irregularidades, diminuindo em muito os abusos de poder. Esta semana, fui surpreendida pelas declarações do Senhor Gonçalo Valente, Presidente da Distrital de Beja do PSD; li, por aí:

“A Distrital de Beja do PSD sai, em nota de imprensa, em defesa das culturas intensivas e super-intensivas, depois de nas últimas semanas ter reunido com a OLIVUM, ACOS e AABA. Gonçalo Valente, presidente da Distrital de Beja do PSD, afirma que as críticas, relativamente a estas culturas, surgem mas estão “ausentes” de informação documentada (como se fosse preciso um documento para saber que o ar que respiro é gorduroso, dá náuseas e é irrespirável) “segundo Gonçalo Valente, nas culturas intensivas e super-intensivas os pontos “positivos” são superiores aos “negativos” e garante que, tendo em conta as associações auscultadas…”  (www.vozdaplanície.pt)

E, ainda, li “deveras irresponsáveis e extremistas” quando se refere às pessoas que se queixam da privação dos seus direitos (direito a respirar, direito a água potável, direito à saúde… essas coisas que estão em último plano no Alentejo).

Alentejo, olivais superintensivos

Senhor Gonçalo Valente, a ser verdade o que li, o senhor reuniu apenas com a parte da qual o Povo Alentejano se queixa. Não se documentou, não viu, não leu estudos, não se muniu de análises credíveis (nem outras), não ouviu quem se queixa, não ouviu os organismos que alertam para um fim do Alentejo. Foi lá, falou com eles, eles dizem que está tudo bem e o senhor acreditou e chamou-nos irresponsáveis e extremistas.


Como é que o senhor quer ser credível e ser eleito se, num primeiro ato, desrespeita a Constituição? Sim, na minha opinião começou por desrespeitar o primeiro artigo, passou para o nono… e por aí adiante.
 Lembro-lhe:
 Artigo 1.º 
República Portuguesa
 Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária.

Artigo 9.º 
Tarefas fundamentais do Estado 
São tarefas fundamentais do Estado: 
d) Promover o bem-estar e a qualidade de vida do povo e a igualdade real entre os portugueses, bem como a efetivação dos direitos económicos, sociais, culturais e ambientais, mediante a transformação e modernização das estruturas económicas e sociais; 
e) Proteger e valorizar o património cultural do povo português, defender a natureza e o ambiente, preservar os recursos naturais e assegurar um correto ordenamento do território; 

 Artigo 10.º 
Sufrágio universal e partidos políticos
2. Os partidos políticos concorrem para a organização e para a expressão da vontade popular, no respeito pelos princípios da independência nacional, da unidade do Estado e da democracia política. 

Artigo 13.º 
Princípio da igualdade 
2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.

Artigo 24.º 
Direito à vida
 1. A vida humana é inviolável. 


Artigo 25.º 
Direito à integridade pessoal 
1. A integridade moral e física das pessoas é inviolável. 
2. Ninguém pode ser submetido a tortura, nem a tratos ou penas cruéis, degradantes ou desumanos. 


Artigo 26.º 
Outros direitos pessoais 
2. A lei estabelecerá garantias efetivas contra a obtenção e utilização abusivas, ou contrárias à dignidade humana, de informações relativas às pessoas e famílias. 

 Pessoalmente, considero que as pessoas que vivem em Fortes, em Alvito e outros locais estão a ser torturadas, vítimas de maus tratos, vivem em condições cruéis, degradantes e desumanas. Considero que a Vontade popular não é a expressa nas políticas adotadas. Considero que os nossos recursos, o Ambiente e a Natureza não estão a ser defendidos. Considero que a Vida está a ser ameaçada, no Alentejo e no País.

E, infelizmente, não vejo a defesa de um produto que era de excelência. Todos, certamente, se lembram das experiências da escola sobre a densidade dos líquidos. O azeite era espesso, não deslizava com facilidade, tinha sabor a azeite, e, nunca, se misturava com o vinagre. Azeite e vinagre criavam bolhas; água e azeite separavam-se na integra.

Comprei vários azeites e fiz essas experiências:

Alentejo, olivais superintensivos


 - alguns azeites, ao serem misturados com o vinagre, formaram uma espécie de manteiga;

Alentejo, olivais superintensivos


- não consegui nenhum azeite que se separasse, na integra, da água; alguns criaram uma espécie de película branca, entre o azeite e a água; o que será aquilo?

Eu sei que a China e mais não sei quem vão precisar de azeite mas… não estaremos a vender “gato por lebre”? O que lhes vendemos não provém de oliveiras, provém de espécies não portuguesas e que foram alvo de modificações do ADN, portanto organismos transgénicos.   Ainda me questiono: que desenvolvimento temos?

Um desenvolvimento que me faz pagar produtos ao preço do ouro. Já viram o preço da salsa? Entre 50€ a 125€ o kg -a que provêm do Parque Natural do Litoral Alentejano. Salsa? Coentros? Alface? Bróculos? Num Parque Natural? Escrevi tanto que já não há espaço para o Amendoal e para os americanos que vêm a caminho.

Sou alentejana, portuguesas e se a constituição permite que expresse a minha vontade e a minha opinião: sou contra. O Desenvolvimento do Alentejo tem que passar pela recuperação dos seus recursos naturais (e são muitos), com total respeito pela Natureza, pelo Ambiente; pelo Património Histórico e pela vida. Sou contra a destruição do Alentejo, sou contra o arranque de árvores seculares, e sou contra as culturas superintensivas. Sou contra estes crimes e a Constituição Portuguesa também o é.

Conselhos de leitura sobre este tema:

Químicos e morte povoam milhões de hectares do Alentejo


https://navegantes-de-ideias.blogspot.com/2018/01/o-fim-da-planicie-e-morte-do-azeite-um.html

https://navegantes-de-ideias.blogspot.com/2018/02/destruido-todo-o-parque-natural-do.html

Sem sorrisos
Guida Brito




quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Somos poucos por todo o lado: o euro já se afundou; a moeda somos nós

Guida Brito

Somos tão poucos a desempenhar as funções que deveriam ser de muitos mais que a segurança, a saúde, a educação e a justiça são meras utopias – sinto que concordámos que fossem a moeda de pagamento dos buracos de uma corrupção sem fim à vista.

Esta noite, a residência dos estudantes do ISEL foi assaltada. Alguém entrou nos quartos dos jovens, enquanto estes dormiam, e assustou, de forma muito séria, os jovens que dali dependem para continuar os seus estudos. Para a polícia é mais um caso que seguirá os transmites legais; a urgência de resolução que o caso requeria, necessitava que o número do efetivo destes profissionais que ali trabalham fosse muito superior.





A situação é comum: vamos aos correios e ingressamos na horrível espera da senha “do nunca é a minha vez”; os centros de saúde abarrotam de utentes; nos hospitais, quando temos a sorte de ser aprovado o nosso exame, ou a nossa cirurgia: lá vamos parar à interminável fila do “esperamos que não morra”; na justiça… não sei se rio ou se choro; na educação, o número de profissionais é tão diminuto que é claro que concordámos que as nossas crianças permanecessem sentadas numa cadeira, ao invés de adquirir conhecimentos válidos e consolidados; vamos às finanças e “toca pró espera”. Permitimos doar do nosso temos de vida, como se fossemos eternos e o tempo fosse coisa que sobejasse, num interminável não sei se acontecerá.

Claro que reclamamos! Reclamamos nos correios, reclamamos nas finanças, reclamamos nos bancos; reclamamos na polícia; reclamamos nos centros de saúde… reclamamos na justiça (mentira, aqui já desistimos de fazer valer os nossos direitos): reclamamos e vigiamos de perto os profissionais dos quais dependemos e que, tal como nós, são em número diminuto para desenvolver (ou solucionar) uma exigência desmedida.

Estamos errados por não exigimos, no sítio certo, Direitos que deveriam ser universais. Permitimos e continuamos a permitir que a moeda de pagamento de uma crise sem fim seja aquilo pelo qual batalhamos todos os dias: igualdade, justiça, educação; saúde; tempo com os que amamos… direitos fundamentais. O euro já se afundou; a moeda somos nós.
Sem sorrisos
Guida Brito

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Nunca mais é sábado!

Guida Brito


Nunca mais é sábado!

Nunca mais é a hora de almoço!
Nunca mais é o fim do trabalho!
Nunca mais é sexta!
Nunca mais é fim de semana!
Nunca mais é fim do mês!
Nunca mais chegam as férias!
Nunca mais acabo aquilo!
Nunca mais vem a reforma!
Nunca mais...



Regionalismos em excesso para expressar a carência de viver. Desejamos, sistematicamente, um tempo que ainda não chegou.
Viver é algo que projetamos realizar no futuro. 
Tempo para viver só existe um: hoje.
Sorrisos
Guida Brito

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Vivia debaixo dos meus pés


Guida Brito

Vivia debaixo dos meus pés, junto à porta, na calha por onde escorrem as águas. Hoje, dia de limpeza, acordou dos sonos de inverno e deu ares da sua graça. Embora incomodada, pousou, diria sorridente, para a fotografia.

Guida Brito


Sorrisos
Guida Brito