sábado, 22 de junho de 2019

Ir à praça, um hábito esquecido: acomodamo-nos em passos certeiros de quem vai, não pensa e não volta feliz



Praça de Vila Nova de Mil Fontes

Pouco conscientes, abandonámos certos hábitos que ampliavam a nossa qualidade de vida. 


Assim no sem querer, na pressa de quem tudo precisa para o ontem, acomodamo-nos em passos certeiros de quem vai, não pensa e não volta feliz. Habituámo-nos, de forma desmedida, aos hipers, aos grandes, aos têm tudo e, de forma “freniqueira”, “calcoreamos” prateleira a prateleira. Sabemos de cor, de forma quase inata, os caminhos do agora promove isto amanhã engoda com aquilo. 
Praça de Vila Nova de Mil Fontes

Permitimos o ficar sem nora, na hora das mudanças no local do gasto. Reclamamos, "asneiramos", certos que a qualidade de vida é o facilitismo do gesto impensado. 
Praça de Vila Nova de Mil Fontes

E eles sabem disso: sabem que se nos sentirmos em casa vamos diretos á prateleira e consumimos o usual; sabem que não vemos e em dia de novidades -  que não nos servem para nada - trocam a organização da casa e tropeçamos no vai comigo, apesar do não quero e não preciso; é barato. E, maioritariamente, papamos disto: meia dúzia de enlatados, uma dúzia de pré-feitos, duas dúzias do vai parar ao lixo e a novidade que nos impingiram no vai com pressa.
Praça de Sines

Praça de Sines

Permitimos o sem sabor e o já está feito.
Voltei ao Mercado, à praça, e fiquei feliz. 
Louro

Polvo

Encontrei os senhores da horta: os tomates sabem a tomate; os pepinos sabem a pepino; os pimentos são pimentos; as beldroegas são campestres; as ameixas e as maçãs não são todas iguais; os frutos têm folhas e não brilham; as batatas não flutuam como nas Provas de Aferição, são batatas e cumprem a sua função… 
Salsa e hortelã

Cravo

Não sei o que pensa a ASAE, não sei o que pesam os hipers, não sei o que vocês pensam, eu sei que amei os sabores e a salsa foi oferecida (só por isso já valeu a pena). Aquilo não tem ponta por onde se pegue, segundo uns moldes que não entendo, mas o sabor! Ai! O sabor!
Cenouras

Batata Doce

Comprei peixe bem fresquinho, azeitonas tradicionais, queijinhos da cabra da vizinha; dei dois dedos de conversa com a senhora das rosas; sorri para o homem do peixe; escolhi o melhor pão (um belo casqueiro alentejano) e voltei feliz.


Fui ao mercado, fui à praça,  amei e sorri.

Flores

 Sorrisos
Guida Brito



9 comentários:

  1. E ainda por cima, esses "grandes", volta na volta trocam-nos as voltas! Hás vezes, fazem mudança de composição e decoração de prateleiras que nos deixam àtoa! Isso irrita-me solenemente! Mas sem duvida nenhuma que o "mercado" tem o selo e a qualidade das nossas terras e gentes!

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  2. Adoro ir à feira....ou o hábito que fica de ir à feira e namorar os congelados ����

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  3. Adorei o texto. Obrigada, Guida, por mais um excelente artigo.

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  4. Maravilha de Texto! Maravilhosas fotografias!

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  5. Lezita Protasio: "Adoro ir ao sábado de manhã aqui em Albufeira . O mercado aqui e um espetáculo. Tem as bancas de fruta tradicionais que funcionam de terça ao Domingo. Mas ao Sábado tem os agricultores da zona que trazem os seu produtos da Quintinha e vendem em bancas no Largo do mercado. Aí Guida. Tu compras do melhor. Desde as cenouras aos tomates e pimentos. Fruta pequena. Mas de um sabor sem igual. A simpatia e sotaque carregado dos Algarvios encanta-me. Saiu de lá sorrindo, não sem antes ir a padaria comprar um belo casqueiro alentejano da zona de Beja."

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  6. Ir à praça é comprar legumes, peixe fresco. Mas é certo que não é fácil coordenar com os horários pará quem trabalha .

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  7. Guida, eu vou lá todos os sábados. Gosto de comprar e de encontrar pessoas e conversar. Como vou sozinha, não tenho o marido e o filho a chatearem- me a cabeça com:” vamos embora”, “tanta conversa”....
    Assim da gosto ir às compras.

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  8. São costumes a não perder.Eu vou todos os Sábados.

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  9. Vou à praça quase todos os dias.
    Não gosto de ter em casa legumes e verduras para muitos dias.
    Gosto de comprar diariamente e cozinhar.
    Quando viajo para outras terras visito sempre os mercados e quando olho para o de Sines, sinto uma enorme tristeza.
    Aquele espaço tem inúmeras potencialidades e está na hora de criar a opção de produtos Bio, pois cada vez mais temos direito a escolher o que consumir.
    Chega de produtos que não sabem a nada...Chega de nos impingirem produtos carregados de pesticidas...Chega de consumir o que é importado quando os nossos são os melhores produtos do mundo! Ana Isabel Coelho

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